Capital paulista vende 10,3 mil imóveis novos em julho; oferta chega a 90,6 mil unidades
Pesquisa do Secovi-SP mostra o Minha Casa, Minha Vida com 76% das vendas do mês e os demais segmentos girando menos da metade do ritmo do econômico.
Em 30 segundos
- A cidade de São Paulo vendeu 10.301 imóveis novos em julho de 2026, alta de 67,4% sobre julho de 2025.
- O Minha Casa, Minha Vida respondeu por 76% das unidades vendidas no mês.
- A oferta disponível chegou a 90,6 mil unidades em julho, contra 63,7 mil um ano antes.
A cidade de São Paulo vendeu 10.301 unidades residenciais novas em julho de 2026, segundo a Pesquisa do Mercado Imobiliário (PMI) do Secovi-SP, feita com as incorporadoras associadas e divulgada em 15 de setembro1. O resultado ficou 67,4% acima do de julho de 2025 e 10,7% acima do de junho de 20262. De agosto de 2025 a julho de 2026, foram 118,1 mil unidades vendidas, 6% a mais que nos 12 meses anteriores2.
Os lançamentos somaram 8.354 unidades em julho, 45,9% acima de julho de 2025 e 33,5% abaixo de junho2. No acumulado de 12 meses até julho, chegaram a 146,3 mil unidades, alta de 18%2. O valor global das vendas do mês foi de R$ 4,5 bilhões, em valores corrigidos pelo INCC-DI de julho de 20262.
Mais estoque, giro mais lento
Com mais unidades lançadas do que vendidas em 12 meses, a oferta final, que soma as unidades ainda não vendidas dos lançamentos dos últimos 36 meses, chegou a 90,6 mil em julho de 2026, contra 63,7 mil em julho de 20252. O indicador de vendas sobre oferta (VSO), que mede a fatia do estoque vendida no período, ficou em 56,3% no acumulado de 12 meses, abaixo dos 62,5% de julho de 20252. No mês, o VSO foi de 10,2%2.
Para o corretor
No econômico, que vendeu 13% da oferta em julho, o que decide a venda é a velocidade na aprovação de crédito do cliente; nos demais segmentos, fora das faixas 1 a 3 do Minha Casa, Minha Vida, que giraram 6%, conte com negociações mais longas e com um comprador que tem mais opções para comparar.
Para a imobiliária
Revise a divisão do time entre segmentos: 76% das vendas de novos na capital em julho foram de imóveis enquadrados no Minha Casa, Minha Vida, e a oferta de 90,6 mil unidades abre espaço para parcerias de venda de estoque com incorporadoras.
Dois mercados na mesma cidade
Em julho, 83% das unidades lançadas e 76% das vendidas estavam enquadradas no Minha Casa, Minha Vida: 6.960 lançadas e 7.861 vendidas2. Para a pesquisa, contam como MCMV só os imóveis das faixas 1, 2 e 3; desde abril de 2026, o teto na capital é de R$ 275 mil nas faixas 1 e 2 e de R$ 400 mil na Faixa 32.
A diferença de ritmo é grande. O segmento econômico vendeu 13% da sua oferta em julho; os outros mercados, 6%2. Em 12 meses, as vendas enquadradas no programa cresceram 22%, para 81,7 mil unidades, enquanto as dos demais segmentos caíram 18%, para 36,5 mil2.
O recorte por produto aponta na mesma direção. Imóveis de R$ 275 mil a R$ 400 mil responderam por 46% das vendas de julho (4.770 unidades), e os de até R$ 275 mil tiveram o giro mais rápido, com VSO de 15,3%2. Acima de R$ 5 milhões, o VSO foi de 2,5%2. As unidades de 2 dormitórios somaram 71% das vendas (7.355 unidades), e a zona Leste liderou tanto os lançamentos (3.522 unidades, 42%) quanto as vendas (3.570 unidades, 35%)2.
O que isso muda no dia a dia
Para o corretor de lançamentos econômicos, um segmento que vende 13% da oferta em um único mês2 é um mercado de disputa por unidade. Ter a renda e a documentação do cliente encaminhadas para o crédito antes da visita ao decorado faz diferença.
Fora do programa, o quadro é outro. Com giro de 6% no mês e vendas em queda em 12 meses nos demais segmentos2, o comprador tem mais opções na mesa e tempo para comparar, e o ciclo de venda tende a ser mais longo. Vale preparar comparativos entre empreendimentos e acompanhar condições comerciais que incorporadoras passem a oferecer para girar estoque.
Para quem gere imobiliária, os números pedem revisão da alocação do time. Se três em cada quatro vendas de novos na capital em julho foram de imóveis do programa2, equipes especializadas em financiamento habitacional ganham peso. E uma oferta de 90,6 mil unidades em julho2 é argumento para propor parcerias de venda de estoque às incorporadoras, sobretudo fora do econômico, onde o giro está menor.
Fontes
- Secovi-SP, Pesquisa Mensal do Mercado Imobiliário: Julho 2026 (página de divulgação, 15/09/2026) (secovi.com.br, acesso em 26/09/2026) ↩
- Secovi-SP, Pesquisa do Mercado Imobiliário, julho de 2026 (relatório completo, PDF), seções 1 a 5 e tabela 5.1 (secovi.com.br, acesso em 26/09/2026) ↩
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