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FipeZAP, IVAR e ITBI: o que cada índice de preço de imóvel mede

Um mede o preço pedido nos anúncios, outro o aluguel pago nos contratos, e o terceiro a venda declarada à prefeitura. Saber a diferença evita prometer ao cliente um número que não é dele.

Por Redação Resumo ImobiliárioPublicado em Revisado em 07/10/20266 min de leitura
aluguel anunciado nos 12 meses até agosto de 2026, pelo FipeZAP
Imagem ilustrativa gerada por IA

Em 30 segundos

  1. O Índice FipeZAP é calculado pela Fipe com anúncios de venda e de locação e acompanha apartamentos prontos em até 56 cidades.
  2. O IVAR, do FGV IBRE, mede o aluguel de contratos de locação em quatro capitais e subiu 5,09% em 12 meses até agosto de 2026, contra 9,16% do aluguel anunciado.
  3. Os dados de ITBI que algumas prefeituras publicam trazem o valor declarado na transação, que o STJ presume ser o de mercado (Tema 1.113).

Para o corretor

Na captação, use o FipeZAP para saber como andam os preços pedidos e, se a prefeitura publicar, os dados de ITBI do bairro para saber por quanto os imóveis estão sendo vendidos; explique ao proprietário que anúncio e venda fechada são números diferentes.

Para a imobiliária

Na carteira de locação, acompanhe o IVAR junto com o índice dos contratos: se o aluguel anunciado sobe bem mais que o aluguel pago, a renovação e a revisão vão exigir conversa com o inquilino, não só a aplicação do índice.

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FipeZAP, IVAR e ITBI parecem falar da mesma coisa, mas medem momentos diferentes do negócio. O FipeZAP acompanha o preço pedido nos anúncios1. O IVAR acompanha o aluguel que o inquilino efetivamente paga, a partir de contratos de locação4. E os dados de ITBI que algumas prefeituras publicam mostram as transações em que o imposto foi recolhido, com dados dos imóveis e das operações6,7. Nos 12 meses até agosto de 2026, o aluguel anunciado subiu 9,16% pelo FipeZAP, e o aluguel dos contratos subiu 5,09% pelo IVAR11,2,4.

O que é o índice FipeZAP?

É um índice de preços de imóveis residenciais e comerciais calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que o apresenta como o primeiro com abrangência nacional1. A Fipe calcula as variações com amostras de anúncios de venda e de locação publicados nos portais do Grupo OLX (Zap, Viva Real e OLX)1.

O recorte importa na hora de citar o número:

  • Residencial: os índices de venda e de locação acompanham apartamentos prontos, em até 56 cidades, 22 delas capitais1.
  • Comercial: os índices de venda e de locação acompanham salas e conjuntos comerciais de até 200 m², em 10 cidades1.
  • Taxa do aluguel: a Fipe publica também a razão entre o preço de locação e o preço de venda1.

Em agosto de 2026, o índice de venda residencial acumulava alta de 5,49% em 12 meses, de acordo com relatório do Grupo OLX, parceiro da Fipe no índice12,3. O de locação residencial, que acompanha 36 cidades, acumulava 9,16% no mesmo período11,2. Para comparar, a inflação oficial medida pelo IPCA, do IBGE, foi de 4,22% nos 12 meses até agosto de 202613.

Na leitura do Resumo, como o índice parte de anúncios de apartamentos prontos, ele não mostra o desconto da negociação nem o preço de casas e de imóveis na planta. É o termômetro do que os anunciantes estão pedindo.

O que é o IVAR?

Calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) foi lançado em janeiro de 2022 e sai todo mês4,5. Ele mede a evolução dos aluguéis residenciais em quatro capitais, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, com dados anonimizados de contratos de locação obtidos junto a administradoras de imóveis4.

A diferença para o FipeZAP está na origem do preço. O IVAR usa valores negociados, e não anúncios5. Entram contratos novos, contratos renegociados e os reajustes anuais, e o mesmo imóvel é acompanhado ao longo do tempo, inclusive quando muda de contrato4. O valor considerado é o que o inquilino efetivamente desembolsa em cada período4. O índice também compõe o subitem Aluguel Residencial do IPC da FGV4.

Em setembro de 2026, o IVAR subiu 0,28%, e o acumulado em 12 meses passou de 5,09%, em agosto, para 5,08%4.

Por que o anúncio sobe mais que o contrato?

Porque são universos diferentes. O FipeZAP de locação mostra o preço pedido em anúncios de 36 cidades, e o IVAR mostra o aluguel pago em contratos de quatro capitais, incluindo os contratos em vigor, que mudam no reajuste anual ou numa renegociação11,4. Na leitura do Resumo, quando o anúncio sobe bem mais que o contrato, o recado é que quem procura imóvel hoje encontra aluguéis mais altos do que os da carteira em vigor, e não que todo inquilino vai pagar mais amanhã.

E o ITBI, o que mostra?

O ITBI é o imposto municipal pago na transmissão do imóvel, e algumas prefeituras publicam os dados dessas transações. São Paulo divulga uma tabela das transações imobiliárias com ITBI recolhido, em que cada linha é uma declaração paga no mês de referência, qualquer que seja a data da declaração ou da transação6. A tabela paulistana não traz imóveis rurais nem transações cujo imposto foi pago pelo Programa de Parcelamento Incentivado6. O Recife publica no portal de dados abertos a relação das transações com ITBI recolhido, com características dos imóveis e das operações7.

O valor que aparece ali tem peso jurídico. No Tema 1.113, julgado como repetitivo pela Primeira Seção do STJ, ficou fixado que a base do ITBI é o valor do imóvel em condições normais de mercado, sem vínculo com a base do IPTU8. O valor declarado pelo contribuinte é presumido condizente com o de mercado, e o fisco só pode afastá-lo por processo administrativo próprio8. O município também não pode arbitrar a base antes, por um valor de referência fixado por ele mesmo8. A página do tema registra recurso extraordinário pendente no Supremo Tribunal Federal, o RE 1.412.4198.

Na leitura do Resumo, os dados de ITBI são o que existe de mais próximo do preço fechado, com ressalvas: é o valor declarado, o mês da tabela de São Paulo é o do pagamento e não o da venda, e nem toda prefeitura publica.

Comparando os três

ÍndiceQuem produzDe onde vem o preçoOnde
FipeZAPFipeAnúncios de venda e de locaçãoAté 56 cidades no residencial1
IVARFGV IBREContratos de locação novos, renegociados e reajustadosRio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre4
Dados de ITBI de São PauloSecretaria Municipal da Fazenda da Prefeitura de São PauloDeclarações de transação com ITBI pagoImóveis urbanos da capital paulista6

Qual número usar em cada conversa?

  • Captação e preço de anúncio: o FipeZAP da cidade mostra para onde vão os preços pedidos; os dados de ITBI do bairro, onde existem, mostram por quanto se vendeu.
  • Reajuste do contrato: vale o índice escrito na cláusula. A lei admite reajuste por índices de preços gerais ou setoriais nos contratos de um ano ou mais (Lei 10.192/2001, art. 2º)9. O valor do aluguel é de livre convenção, mas não pode ser fixado em moeda estrangeira nem atrelado ao câmbio ou ao salário mínimo (Lei 8.245/1991, art. 17)10.
  • Renegociação: proprietário e inquilino podem fixar de comum acordo novo valor ou trocar a cláusula de reajuste (art. 18)10. Sem acordo, depois de três anos de contrato ou do último acordo, qualquer um pode pedir a revisão judicial para ajustar o aluguel ao preço de mercado (art. 19)10. É nessa conversa que o IVAR e o FipeZAP de locação ajudam a mostrar a distância entre o aluguel da carteira e o do anúncio.

Nenhum desses índices substitui a avaliação do imóvel. Eles mostram tendência e ordem de grandeza, não o preço de um apartamento específico.

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Fontes

  1. Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Índice FipeZAP, página do índice (fipe.org.br, acesso em 07/10/2026) ↩
  2. Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), FipeZap, consulta de dados de locação residencial do índice geral, Campinas e Fortaleza (fipe.org.br, acesso em 07/10/2026) ↩
  3. Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), FipeZap, consulta de dados de venda residencial do índice geral, Campinas e Fortaleza (fipe.org.br, acesso em 07/10/2026) ↩
  4. Fundação Getulio Vargas, IVAR: Índice de Variação de Aluguéis Residenciais, 2026 (portal.fgv.br, acesso em 07/10/2026) ↩
  5. FGV IBRE, FGV IBRE lança Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (portalibre.fgv.br, acesso em 07/10/2026) ↩
  6. Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal da Fazenda, Dados das Transações Imobiliárias com recolhimento de ITBI (prefeitura.sp.gov.br, acesso em 07/10/2026) ↩
  7. Prefeitura do Recife, Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), conjunto de dados do Portal de Dados Abertos (dados.recife.pe.gov.br, acesso em 07/10/2026) ↩
  8. Superior Tribunal de Justiça, Tema Repetitivo 1.113, Primeira Seção. Repetitivo (processo.stj.jus.br, acesso em 07/10/2026) ↩
  9. Presidência da República, Lei 10.192, de 14 de fevereiro de 2001, art. 2º (planalto.gov.br, acesso em 07/10/2026) ↩
  10. Presidência da República, Lei 8.245, de 18 de outubro de 1991, arts. 17, 18 e 19 (planalto.gov.br, acesso em 07/10/2026) ↩
  11. Grupo OLX, DataZAP Report #130, de 16/09/2026, item sobre o Índice FipeZAP de Locação Residencial de agosto de 2026 (imoveis.grupoolx.com.br, acesso em 07/10/2026) ↩
  12. Grupo OLX, DataZAP Report #129, item sobre o Índice FipeZAP de Venda Residencial de agosto de 2026 (imoveis.grupoolx.com.br, acesso em 07/10/2026) ↩
  13. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Sidra, tabela 7060, IPCA: variação acumulada em 12 meses, Brasil, agosto de 2026 (apisidra.ibge.gov.br, acesso em 07/10/2026) ↩

Como esta matéria foi feita

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